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© 2019 por Katia Hardt

 Meditação é algo que todos já ouviram falar, poucos têm alguma concepção sobre o assunto e menos ainda são aqueles que experimentaram verdadeiramente a meditação. Como qualquer outra experiência subjetiva, a meditação também não pode ser descrita por palavras. O leitor deverá procurar seu significado dentro de si mesmo, no silêncio de seu interior. Somente a experiência é real, a descrição ou o assunto em sua inteira complexidade não. Contudo, procuraremos fazer o melhor ao trazer alguma luz sobre o tema.

 

Deixe-nos primeiro definir o caminho pelo qual a psicologia moderna tem categorizado os diferentes níveis da mente. A mente subconsciente ou inconsciente pode ser dividida em mente inferior, mente mediana e mente superior. A mente inferior está conectada com a ativação e coordenação das funções nos vários sistemas do corpo como a respiração, a digestão, a circulação etc. É a área da mente de onde surgem as necessidades mais instintivas e é desta parte da mente que complexos, medos, fobias e obsessões se manifestam.

 

A mente mediana é a parte da mente que lida com os dados que utilizamos no estado de vigília. É essa parte da mente que analisa, compara e chega a conclusões em relação aos dados que estão chegando. O resultado desse trabalho na consciência manifesta merece atenção. Esta é a parte da mente que nos dá as respostas que necessitamos. Por exemplo, muitos de nós já nos defrontamos com um problema que não podia ser resolvido na hora, mas pouco tempo depois a resposta simplesmente veio à tona na superfície da mente. Foi à mente mediana que resolveu o problema, liquidando-o sem a nossa consciência. Este é o reino do pensamento racional ou intelectual.

 

A mente superior é a área da assim chamada superconsciência e ela está sempre em atividade. É a fonte intuição, inspiração, bem-aventurança e das experiências transcendentais. É dessa região da mente que os gênios recebem seus flashes de criatividade. Ela é a fonte do conhecimento profundo.

 

Nas horas em que nos encontramos no estado de vigília, nos tornamos conscientes de certos fenômenos. Mas temos consciência apenas de uma pequena parte das atividades da mente, usualmente nos domínios da mente mediana. É esta consciência que lhe está permitindo ler estas palavras e estar consciente se seus significados.

 

Outra parte da mente é o inconsciente coletivo, o qual Carl G. Jung esclareceu a comunidade científica. É nesta parte da mente que temos os registros de nosso passado evolutivo. Ele contém o registro das atividades de nossos ancestrais assim como os arquétipos. É a parte da mente que nos conecta a todos os seres humanos pois é o projeto heliográfico de nosso passado comum.

 

Por trás de todas essas diferentes partes da mente está o Ser ou a verdadeira essência da existência. É o Ser que ilumina tudo o que fazemos, embora não estejamos conscientes disso. A maioria de nós chega à erronia conclusão de que o ego é o âmago de nosso ser, embora ele seja somente mais uma parte da mente. É o Ser que ilumina até mesmo o ego.

 

Então, o que acontece quando meditamos? Quando meditamos nos tornamos capazes de retirar nossa consciência das diferentes partes da mente. Normalmente, como enfatizamos anteriormente, nossa consciência está confinada a atividade superficial da mente mediana ou racional. Durante a meditação, nos tornamos capazes de abandonar o excesso do estofo intelectual da mente.

 

É uma experiência comum nas pessoas que iniciam a meditação é verem imagens grotescas ou se tornarem conscientes de profundos complexos enraizados que não faziam ideia da existência. Os praticantes acabam por perceber que possuem medos e obsessões tão profundos e que jamais se deram conta disso. A razão disso é que a consciência, no momento da meditação, começa a funcionar no nível da mente inferior. A consciência está iluminando os complexos, medos e obsessões. Antes disso, o praticante somente se encontra consciente das manifestações desses complexos profundos na forma de raiva, ira, depressão etc. Uma vez que estes complexos profundamente enraizados sejam confrontados, eles podem ser removidos (veja Cap. 2) e a alegria surge na vida. Também, muitas pessoas se tornam conscientes dos processos internos do corpo somente na hora da meditação. Isso porque a consciência passa a atuar no reino das funções orgânicas.

 

Os altos estados de meditação são difíceis de serem alcançados sem a remoção dos medos compulsivos que habitam na mente inferior. Neste caso, não é possível experimentar profundos estados meditativos porque estes complexos são tão compulsivos que tomam para si toda a atenção do praticante. Existem muitos lugares onde a consciência pode ir, mas parece que ela é atraída as atividades da mente inferior como ferro é atraído pelo imã. Parece que ela experimenta um deleite perverso ao lidar com os medos, obsessões e ansiedades.

 

Nos altos estados meditativos, a consciência se desloca para mente superior, a região da superconsciência. A consciência impera sobre o pensamento racional e o praticante vê as inúmeras atividades mais próximas da realidade. O meditador entra na dimensão da inspiração e iluminação. Ele passa a explorar os profundos aspectos e verdades da existência. Uma nova esfera, um novo reino existencial é alcançado, um reino que antes parecia ser impossível de se alcançar, uma invenção da mente.

 

A Culminação da meditação é a autorrealização. Isso ocorre quando até mesmo a mente superior é transcendida. A consciência deixa de lado a exploração da mente e se identifica com o âmago da existência humana, o Ser. Neste ponto, ela é pura consciência. Quando o meditador alcança a autorrealização, isso significa que ele atingiu a consecução e a conversação com o Ser, a essência primordial de sua existência, identificando toda sua vida, a partir deste momento, com o ponto de vista do Ser e não com o ponto de vista egoísta do ego. Quando ele age a partir do ponto de vista do Ser, o corpo e a mente operam quase que como uma entidade separada. A mente e o corpo deixam de ser reais para ele, pois são meras manifestações do Ser, sua verdadeira identidade. Portanto, a meditação estaria destinada a exploração das camadas mais profundas da mente e, posteriormente, sua transcendência total, culminando na autorrealização.

 

Meditação passiva & ativa

 

Existem dois tipos de meditação: passiva e ativa. A meditação ativa é aquela praticada enquanto se executa as atividades triviais do dia-a-dia, caminhar, falar, comer etc.Podemos dizer que este é, de fato, o objetivo do Yoga: nos permitir meditar enquanto estamos envolvidos nas atividades triviais da vida. Isso não quer dizer que as atividades não serão feitas com entusiasmo. Muito pelo contrario: as atividades serão exercidas com muito mais eficiência e energia. A meditação ativa se executa cultivando o discernimento(viveka) e a discriminação (vichara) na construção da autoidentidade ao afirmar-se como indivíduo, testemunhando o universo interno e externo com equanimidade. A atitude discriminativa nas atividades do dia-a-dia, no karma-yoga ou bhakti-yoga, desperta a consciência em todos os níveis da mente. A meditação ativa pode ser desenvolvida também através das técnicas de meditação passiva disponibilizadas adiante.

 

Executa-se a meditação passiva sentando-se em uma postura por um determinado período enquanto se pratica uma técnica meditativa. O objetivo é estabilizar a mente sempre agitada e vagante e torná-la profundamente unidirecionada até que a experiência meditativa real ocorra espontaneamente. Ela pode ser dividida em quatro estágios de proficiência:

 

1.    Fixando a mente em uma prática meditativa, um objeto, um som, a respiração, uma imagem etc. Isso acalma a mente e torna-a introvertida.

2.    Sucesso no primeiro estágio automaticamente leva ao fluxo livre de pensamentos, complexos, visões, memórias etc., do reino inconsciente da mente. É possível agora sondar os aspectos ocultos da personalidade e da mente inferior a fim de remover o conteúdo indesejável.

3.    Quando a mente inferior tiver sido completamente explorada, inicia-se a exploração dos reinos da superconsciência. Aqui a verdadeira meditação começa. O ilimitado armazém de conhecimento e energia dentro de cada um de nós começa a se mostrar espontaneamente. Aqui ocorre a sintonia com o cosmos e todas as coisas criadas.

4.    Eventualmente a mente é transcendida e o meditador atinge a unidade com a Consciência Suprema. O objetivo da autorrealização é alcançado.

 

Proficiência na meditação passiva automaticamente leva a meditação ativa, pois quanto mais profundo o meditador imergir na mente em sua prática passiva de meditação, mais estará capacitado a viver em um estado meditativo perpétuo, mesmo enquanto realiza os afazeres do dia. Na verdade, quanto mais profundo imergir, mais seu conteúdo secreto se manifestará na superfície da mente na forma dos acontecimentos externos. E na medida em que explora todo o conteúdo da mente, mais poderoso fica. Dessa maneira, a vida, o trabalho, as relações etc., se tornam mais produtivas e o meditador se torna capaz de conquistar coisas que antes acreditava ser impossível fazer.

 

Eventualmente, a meditação passiva se torna superficial. Isso ocorre na autorrealização.Neste estágio, o indivíduo vive em concordância com os mais profundos valores espirituais que brotam da essência de seu Ser, mesmo podendo se expressar neste mundo. Nessa situação, a pessoa autorrealizada é capaz de viver em harmonia tanto com o mundo espiritual quanto com o mundo material. Na verdade, já não há essa distinção. Neste estágio o que existe é uma contínua e espontânea experiência da meditação ativa.

 

Os seres humanos têm a tendência de se identificarem com os objetos de percepção. Por exemplo, nós vimos um lindo pôr do sol. Nossa consciência foi tão sobrepujada que nos esquecemos completamente de nós mesmos. Nos esquecemos do fato de que estamos experienciando o espetáculo. Assim, como é que podemos realmente experimentar o regozijo do pôr do sol? O indivíduo, o sujeito, o experienciador se esqueceu de sua natureza pois foi completamente obscurecido pelo objeto de percepção. A consciência se identificou com o objeto e excluiu o sujeito. O leitor deve pensar sobre isso nesse momento: estará você consciente do fato de que está experienciando estas palavras ou estará completamente identificado com elas?

 

A situação ideal é quando o pôr do sol ou qualquer outro objeto é experienciado sem que se perca a consciência de si mesmo. O meditador deve sentir a experiência objetiva de perceber, vivenciar, experimentar ou, mais adequadamente, de testemunhar. Neste caminho, a experiência espiritual de se experimentar se intensificará; o Ser ou a alma agora conhece, conscientemente, a experiência do objeto. A bem-aventurança do Ser pode agora desvelar-se em resposta a experiência de objetos externos. Antes, a natureza do Ser estava obscurecida pela experiência do objeto, agora o Ser pode brilhar em sua prístina e completa glória.

 

Isso deve se aplicar a toda existência material. Devemos experienciar os fenômenos externos porque eles fazem parte da vida, mas suplementando a vida externa com a vida interna. Dessa maneira, a vida em todos os seus aspectos pode ser experimentada de maneira muito mais plena. No presente, a maioria de nós vive uma vida quase que completamente extrovertida por conta da ignorância. Não somos capazes de realizar o oceano de bem-aventurança que existe nas profundezas de nosso ser. Um dos objetivos da meditação é tirar a consciência dos enredos externos por um período de tempo e direcioná-la para o interior. O objetivo é experimentar um lampejo da vida interior e conectá-lo com a vida exterior. Essa conexão sempre existiu, mas a grande maioria não se encontra consciente deste fato. A meditação nos torna conscientes dessa conexão, nos levando a profundos estados felicidade espiritual e paz de espírito. A meditação nos torna conscientes da importância da experiência subjetiva, a natureza interna e essencial que é nossa herança.

 

A meditação é um legado da humanidade. É algo que todos nós deveríamos e somos capazes de experimentar espontaneamente, embora não estejamos podendo experimentar pela maneira como vivemos a vida. Estamos constantemente em um estado de tensão porque não conhecemos nós mesmos, nossa natureza interior. Estamos sempre tentando fazer alguma coisa porque sentimos que devemos fazer, mesmo que seja algo contrário a nossa natureza. Existe um conflito contínuo entre o que somos e o que precisamos. Sempre somos motivados em sermos alguma coisa além daquilo que realmente somos: o Ser. Se conseguirmos fazer uma união entre o que somos e o que precisamos, então a meditação acabará acontecendo.

 

O conhecimento que todos nós experienciamos é o conhecimento intelectual. Ele deriva da parte racional da mente. Essa é uma forma de conhecimento relativo; não é um conhecimento real! Ele consiste de um campo limitado de fatos e figuras das quais deduzimos teoremas, conceitos e o relacionamento com o meio ambiente. Essa é a forma científica, tecnológica, filosófica e outras formas de raciocínio promovidas pela mente racional. A falácia é que a hipótese original é fundamentalmente adequada em si mesma, embora saibamos que este tipo de conhecimento seja continuamente provado ser errado. A própria ciência nos dá o exemplo: Newton expôs a teoria da gravitação que rapidamente se tornou aceita como verdade. Contudo, poucos séculos depois, Einstein demonstrou através de sua teoria que a gravidade não existe como tal. É claro, isso não se aplica só a ciência; na verdade, isso se aplica a qualquer atividade intelectual que executamos. Qualquer conclusão que venha da mente racional pode ser substituída sob a luz de novas descobertas.

 

Podemos também experimentar o conhecimento na forma de sensações e emoções. Uma pessoa pode sentir mentalmente a verdade sobre uma ideia; ao mesmo tempo, uma pessoa pode emocionalmente sentir que algo é verdade. Muita gente confunde este tipo de conhecimento com conhecimento intuitivo.

 

Além do conhecimento intelectual e emocional existe outro tipo de conhecimento. Ele só é alcançado em estados meditativos e é uma forma mais real de conhecimento. É o conhecimento intuitivo que compreende a totalidade da situação. Diferente do pensamento racional que tenta construir uma imagem completa do todo a partir das partes, a intuição diretamente compreende o todo, a totalidade. Ela vem da parte superconsciente da mente, a qual estamos usualmente inconscientes. Este tipo de conhecimento não depende do intelecto ou das emoções, que tendem a colorir ou perverter a forma real de conhecimento. A meditação não depende de projeção pessoal; se precisasse, não seria meditação.

 

Durante a meditação uma conexão é feita com as regiões mais elevadas da mente associadas com a expansão da consciência, a parte superconsciente da mente ou o campo da consciência ou discriminação, a assim chamada consciência desperta. Essa conexão permite que as elevadas vibrações mentais sejam experienciadas pela consciência do meditador. Essas sutis e elevadas vibrações existem todas ao mesmo tempo, embora não sejam completamente percebidas. Às vezes elas são percebidas, em raras ocasiões, na forma de flashes intuitivos, inspirações, iluminação criativa etc. Estamos usualmente inconscientes destas vibrações, verdades e conhecimento superior por conta das impurezas da mente. Esta forma superior de conhecimento, as vibrações elevadas, desvelam a causa subjacente ou a verdade inata por trás das manifestações corriqueiras que percebemos no dia-a-dia. Os profundos aspectos da vida se revelam durante a meditação.

 

Tradução livre de Fernando Liguori.

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